14 de janeiro de 2008

Li no Diário do Pará de hoje

Formigas carnívoras atacam cidade do Amazonas

Os moradores de Novo Aripuanã, município distante 220 quilômetros de Manaus, sofrem com a infestação de formigas carnívoras. Quintais que eram utilizados para roças foram praticamente abandonados. Grilos, lagartos e ratos estão desaparecendo da cidade e até atividades simples, como brincadeiras no pátio e conversas embaixo das árvores, representam risco à população, segundo informações da Agência Brasil. As formigas que estão causando transtornos em Novo Aripuanã são chamadas formigas de fogo ou lava-pés. A primeira colônia chegou em toras de madeira que desceram das cabeceiras de rios e, rapidamente, os animais se espalharam pelo município. Vítima dos insetos, o bancário Raimundo Nonato afirma que 80% da cidade está infestada pelas formigas. “Elas atacam principalmente os animais domésticos, como cachorros, gatos, galinhas. É difícil a gente ter esses animais porque elas atacam”, afirma. Segundo ele, as formigas não poupam nem as pessoas. “É uma coisa horrível. A qualquer momento, elas estão no pé da gente”, afirma. O agrônomo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Marcos Garcia esteve no município. Segundo ele, as formigas são nativas da região. Garcia diz que as condições da zona urbana favorecem a proliferação dos insetos e orienta a população a acondicionar o lixo de forma adequada. “É uma espécie de formiga que aproveita todo tipo de material orgânico. Por exemplo, resto de peixe, ossos, carne em geral são consumidos por essas formigas”, explica.





Estamos perdendo para mosquitos e agora formigas...
E pensar que vamos ajudar os vizinhos antes de cuidar da própria casa.
E ver nossa Sociedade recebendo um péssimo atendimento quando procura assistência à saúde. E não vamos nem falar dos nossos indios.
Êta Brasil abandonado.

12 de janeiro de 2008

Bom dia, Belém. Um hino de amor à cidade morena.

Belém, 392 anos. Parabéns!


Manuel Bandeira

Bembelelém

Viva Belém!

Belém do Pará porto moderno integrado na equatorial

Beleza eterna da paisagem

Bembelelém

Viva Belém!

Cidade pomar

(Obrigou a polícia a classificar um tipo novo de delinqüente.

O apedrejador de mangueiras)

Bembelelém

Viva Belém!

Belém do Pará onde as avenidas se chamam Estradas:

Estrada de São Jerônimo

Estrada de Nazaré

Onde a banal Avenida Marechal Deodoro da Fonseca de todas as cidades do Brasil

Se chama liricamente

Brasileiramente

Estrada do Generalíssimo Deodoro

Bembelelém

Viva Belém!

Nortista gostosa

Eu te quero bem.

Terra da castanha

Terra da borracha

Terra de biriba, bacuri, sapoti

Terra de fala cheia de nome indígena

Que a gente não sabe se é de fruta pé de pau ou ave de plumagem bonita.

Nortista gostosa

Eu te quero bem.

Me obrigarás a novas saudades

Nunca mais me esquecerei do teu Largo da Sé

Com a fé maciça das duas maravilhosas igrejas barrocas

E o renque ajoelhado de sobradinhos coloniais tão bonitinhos

Nunca mais me esquecerei

Das velas encarnadas

Verdes

Azuis

Da doca de Ver-o-Peso

Nunca mais

E foi pra me consolar mais tarde

Que inventei esta cantiga:

Bembelelém

Viva Belém!

Nortista gostosa

Eu te quero bem.

(Estrela da Manhã - Belém, 1928)



5 de janeiro de 2008

Sacanagem...




O Alexandre não perde uma chance.
Falem bem ou mal, mas falem do meu Fogão! O Cariocão vai começar, veremos, veremos...

30 de dezembro de 2007

Aos meus amigos, com um forte abraço e votos de muita saúde.


Passagem do Ano
(Carlos Drummond de Andrade)


O último dia do ano
não é o último dia do tempo.
Outros dias virão e novas coxas e ventres
te comunicarão o calor da vida.
Beijarás bocas, rasgarás papéis, farás viagens
e tantas celebrações de aniversário,
formatura, promoção, glória,
doce morte com sinfonia e coral,
que o tempo ficará repleto
e não ouvirás o clamor,
os irreparáveis uivos do lobo, na solidão.

O último dia do tempo
não é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vida
onde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário,
uma mulher e seu pé,
um corpo e sua memória,
um olho e seu brilho,
uma voz e seu eco,
e quem sabe até se Deus...

Recebe com simplicidade
este presente do acaso.
Mereceste viver mais um ano.
Desejarias viver sempre
e esgotar a borra dos séculos.
Teu pai morreu, teu avô também.
Em ti mesmo muita coisa já expirou,
outras espreitam a morte, mas estás vivo.
Ainda uma vez estás vivo,
e de copo na mão esperas amanhecer.

O recurso de se embriagar
O recurso da dança e do grito,
o recurso da bola colorida,
o recurso de Kant e da poesia,
todos eles... e nenhum resolve.

Surge a manhã de um novo ano.
As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gasto renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida,
A vida escorre da boca,
lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.







E prá não esquecer que no ano que se inicia não devemos copiar os erros dos anos passados, ficamos com a esperança de escolher melhor representantes nos próximos anos.

Difícil? É necessário.



10 de dezembro de 2007